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domingo, 7 de novembro de 2010

Suicídio

O sono a acariciava com suas mãos delicadas. A luz que inclinava- se em sua direção vinha da TV que ainda estava ligada. Os lances de luz a hipnotizaram aquela noite. Na mesa de centro um cigarro e uma bebida qualquer. Sentada no chão da sala com os olhos inundados por uma tempestade de sentimentos tão contraditórios, questionava-se sobre tudo o que sentia.
 Entre um gole e outro da tal bebida, um soluço a acompanhava. Não entendia o porquê de seu coração estar tão apertado.
 – Ele não merece meu amor. Pensava ela.
 E ordenava a sua alma que parasse de pensar nele.
 – Teimosa e maldita. Pare!
 Naquele momento diálogo algum funcionaria. Recordava-se da tarde que passou. Do banco. Do céu. Das folhas. Do beijo. Do gosto de fel. Dos seus olhos tão azuis. As lágrimas frias teimavam em cair. Molharam o seu vestido. Ela precisa ouvir a sua voz. De súbito pegou o telefone e discou o número rapidamente.
 – Alô. Quem é? Quer falar com quem? Alguém do outro lado da linha perguntava. Desligou.
 Não conseguiu pronunciar uma palavra. Chorou. Levantou-se. Já era madrugada. Caminhou até o banheiro. De frente para o espelho, chorou novamente. Lavou seu rosto com a verdade mais fria existente. Estapeou-se. Precisava acordar. Sentia que estava ruindo aos poucos.  Saiu do banheiro. De volta à sala desligou a TV. Do 15º se atirou.

Um comentário:

  1. Esse texto é uma passagem subjetiva subsequente a um evento real?

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